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De coração a coração
Se o coração se abre e deixa entrever aquilo que é,
então a graça divina pode vir e transmutar o que nele está.
Não importa se há dor, se triste está ou até mesmo sujo;
não importa se está ferido ou magoado se encontra.
Quando se abre, a luz pode entrar e trazer aragem, alívio, vitalidade.
E há um outro coração, tão grande e humano,
que só poderia ser o coração de um Deus:
dilatado, ferido, transbordante de amor por toda a humanidade.
Dele é que pode vir o hálito que ressuscita,
o sopro que recria e constitui o Ser em cada ser.
O olhar voltado à frente, fitando os olhos de quem se achega.
A mão direita erguida: poder que se exerce na misericórdia.
A mão esquerda apontando o caminho do coração.
Clara e diáfana auréola de luz, dissipando a escuridão.
Por detrás a árvore despojada de suas folhas,
mostrando o seu real contorno, imagem do desnudamento de si.
Aquele que dele se aproxima, precisa assim estar:
despojado das defesas, das aparências, lançado à sua própria verdade.
Aceitar-se frágil e na fragilidade reconhecer a beleza de ser o que se é.
Não a beleza estática, mas que está em contínua transformação.
Diante do teu coração,
Mestre amigo, Jesus,
meu coração de discípulo se coloca desejoso de ti.
Tu que és manso e humilde de coração,
cuida de mim e das minhas precisões.
Lava as feridas,
derrama o azeite do Espírito,
o vinho novo da Nova e Eterna Aliança.
Acende nele a chama de amor,
que crepita, dando luz e calor.
Mestre amigo,
Acolhe-me em teu Coração.
Nele eu encontre a morada,
O esconderijo e a salvação.
Quando as tempestades vierem,
Seja ele meu abrigo.
Quando o medo me assombrar,
Seja ele minha segurança.
Quando a tristeza me pesar,
Seja ele o alento a me animar.
E quando a morte chegar,
Seja ele a me ressuscitar.
Amém.
Autor: Pe. Sérgio Luiz e Silva
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