|
Espiritualidade Abril 2007
A ÁRVORE DA VIDA!
“A árvore não nega sua sombra nem ao lenhador” (Provérbio Hindu)
Poderia falar de todas as árvores. Das milhares de árvores que diariamente tombam ao chão na floresta amazônica e em todas as matas do planeta. Mas quero chamar sua atenção para uma árvore em especial: a árvore que cedeu seu lenho para a cruz do Senhor.
O que pensar? Que triste ou que glorioso destino? Ela foi o lugar da nossa redenção. Quando o lenhador aproximou-se daquela árvore, dela recebeu a sombra refrescante e não imaginava, ou era indiferente, que sua dor, sofrida a cada machadada que recebia, era apenas um leve presságio da dor mais atroz que a terra provou, que sobre ela aconteceria dias ou meses mais tarde.
Quando se corta uma árvore, já não a chamamos de árvore, mas de madeira. É clássico o grito que se dá quando uma árvore é cortada: - Madeira!!! Só é árvore quando há seiva correndo pelos veios. Depois de cortada, é apenas madeira. Mas aquela árvore, em particular, não se tornou madeira, mesmo depois de arrancada de suas raízes. Ela continuou a ser árvore e mais: tornou-se a Árvore da Vida, que um dia esteve plantada no Jardim do Éden e que, desde o pecado do homem e da mulher, havia ficado escondida e protegida por ancanjos, sem que o ser humano pudesse provar novamente de seu fruto.
Plantada no Monte Calvário, com seu Senhor e Criador nela pendido, mais uma vez estava dando sombra. Os lenhadores agora eram outros: as autoridades judaicas e romanas, os soldados que crucificaram o Mestre e que dele caçoavam e a turba enfurecida que havia gritado “crucifica-O”. Para estes, ela também ofereceu a sua sombra, talvez para lembrar-lhes que seus corações estavam não só na sombra, mas na mais densa escuridão. Mas ela foi sombra também para Maria, João e as outras mulheres que ali estavam aos seus pés. Para estes, sua sombra foi o consolo e a antecipação da clara manhã que surgiria três dias depois.
Hoje, cantamos: - À sombra dos teus braços a Igreja viverá. Por ti, no eterno abraço, o Pai nos acolherá! Sim, à sombra dos braços da Cruz, a Árvore da Vida, viverão todos aqueles que necessitam não só de sombra, mas de vida. A seiva, agora, é o próprio Sangue do Senhor. Os lenhadores bem que tentam, mas não podem mais cortar esta bendita árvore. Ela está cheia de brotos. Suas flores enchem todos os ramos, espalhando seu perfume e seus frutos são mais doces que o mais puro mel.
Agora, a Árvore da Vida não está mais guardada pelos arcanjos que impedem o acesso a ela. Eles, ao contrário, dizem: - Vinde, vós todos, achegai-vos! Aqui encontrareis a sombra benfazeja, a água da vida e o fruto da eternidade! Recebei gratuitamente, vós todos que estais famintos e sedentos, da dádiva do Salvador!
Autor: Pe. Sérgio Luiz e Silva
|