|
Espiritualidade Agosto 2007
Que Farei!!!
No Evangelho (Lc 12, 13-21), Jesus conta uma parábola, respondendo a uma pessoa que lhe diz: “Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança” (v.13). Ele apresenta, então, a estória de um homem rico que havia conquistado uma grande colheita. Seus celeiros não mais comportavam a grande quantidade de grãos. Pergunta-se: “Que farei”? Decide, então, derrubar os seus celeiros e construir outros maiores. Só, que naquela noite ele morreu, deixando tudo para trás. Jesus conclui, dizendo: “Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus”.
Jesus, não foge à demanda do homem, mas, não responde simplesmente à questão. Antes, apresenta-lhe, através da parábola, um critério para a situação apresentada, no caso, não se deixar levar pela ganância.
Numa outra parábola (Lc 16, 1-9), do administrador infiel, o homem também se pergunta “Que farei?” (v. 3).
Decisões e suas conseqüências
Em quantas situações esta pergunta ecoou em nossa mente, de forma consciente ou inconsciente. “Que farei”? Ela nos leva a refletir rápida ou mais demoradamente sobre uma decisão a ser tomada. Mesmo que de forma inconsciente, ela está sempre presente no dia-a-dia, tanto nas pequenas decisões a serem tomadas, quanto nas questões mais fundamentais como, exemplo: escolher um estado de vida ou um caminho espiritual.
Toda decisão tem conseqüências, mesmo aquelas que parecem sem muita importância, como a escolha da cor de uma roupa a ser usada. Por não se refletir o suficiente ou pelo uso de critérios errados, algumas decisões podem levar a pessoa a “enrolar-se” toda, a trocar os pés pelas mãos. Quem não se viu “enrolado” em um determinado momento por não ter sido mais criterioso ao tomar uma decisão? O próprio rumo da vida pode mudar por falta de clareza nessas horas.
Por se deixar envolver por uma pessoa interessante que apareceu no caminho, um casamento pode se desfazer. Por não controlar um impulso consumista, a pessoa acaba entrando em uma dívida que cresce cada vez mais.
“Busque as coisas do alto!”
Qual o caminho que a Palavra de Deus aponta como critério para responder a esse “que farei”? Paulo proclama em alto e bom som: “Busque as coisas do alto” (Cl 3, 1)! Buscar as coisas do alto não é tornar-se alienado num espiritualismo ou descolado da vida. O apóstolo aponta, então, um caminho, um critério: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos” (Fp 4, 8). Eu completaria dizendo: tudo o que o torna verdadeiramente livre, tudo o que o leva a Deus, tudo o que é saudável, tudo o que não é egoísta, tudo o que não tem por base o orgulho, tudo o que o faça crescer, tudo o que consolide o seu ser, tudo que é fruto do amor.
É claro que este é um critério geral que deve ser aplicado, com discernimento, em cada situação. À medida que ele vai sendo enraizado em nossa personalidade, torna-se mais natural em sua aplicação, mesmo nas pequenas decisões.
A busca do discernimento
Discernimento... essa palavrinha mágica e nem tão fácil de ser vivida. Nem sempre uma decisão se dá entre uma coisa boa e outra ruim. E quando são duas coisas igualmente boas? Pe. Cláudio Pires, jesuíta, afirma que ao falar de discernimento é bom usar “o desenho de uma vela – é a vela do nosso querer, e ela deve estar acesa. Depois temos uma flecha, que representa o vento que, assim como na realidade física, sopra e tenta empurrar a chama para uma direção. No mundo interior, existem ventos soprando tentando direcionar a chama do nosso querer, procurando fazer com que sejamos capazes de optar por uma determinada direção e, em se tratando de discernimento espiritual, nós veremos que ventos estão soprando e tentando direcionar o querer. A esses ventos chamamos, na linguagem Inaciana, de moções.”
Em momentos-chave de nossa vida, especialmente quando não se tem clareza sobre qual direção tomar, é bom procurar alguém que tenha uma experiência humano-espiritual consistente para nos ajudar a responder a esse “que farei”. Mas, lembre-se, a decisão será sempre sua. Há pessoas que buscam aconselhamento espiritual para que o conselheiro(a) indique para ele qual direção tomar. Certamente um verdadeiro conselheiro nunca dirá o que você deve fazer. Ele o ajudará a pensar sua vida à luz do Evangelho e das ciências da alma.
Não adianta fugir, não adianta “fazer de conta” que a questão não está aí. Se você não toma as rédeas de sua vida outras tantas coisas ou pessoas tomarão. Resultado: sua liberdade comprometida, sua vida “enrolada”.
Autor: Pe. Sérgio Luiz e Silva
|
Pe. Sérgio procura guiar o seu ministério levando as pessoas a experimentarem a vida abundante que Jesus tem para elas, seja nas pregações, no segredo do locutório, através de seus ensinamentos e orações compilados em cd´s ou pelas entrelinhas dos livros de sua autoria.
Os livros A Bíblia em 365 Dias, Estações da Alma e Intimidade e Véus são de autoria de Pe. Sérgio Luiz e Silva e foram editados pela Editora Santuário que fica à Rua Padre Claro Monteiro, 342- 12570-000 - Aparecida -SP - Fone: (0xx12) 565-2140 e-mail: vendas@redemptor.com.br. Adquira já o seu.

Conheça o material de evangelização (Orações, Palestras; Meditações e Avivamentos) de autoria de Pe. Sérgio compilados em cd.
|