Não foi a experiência do fim que viveram os discípulos com a morte de Jesus? O relato de Emaús (Lc 24) é claro sobre isso. “Acabou o sonho que tínhamos”, eles poderiam simplesmente dizer a Jesus. Não é uma das piores coisas para se experimentar na vida?
Quando se fala sobre o FIM, como isso lhe bate? O que causa em você? Talvez medo, o sentido de uma rua sem saída ou a impossibilidade da esperança. Morte. O autor do pensamento acima, embora desconhecido, faz um caminho que evolui, que abre perspectivas.
- O fim fica em frente – Com ele convivemos todos os dias, a cada momento: o fim do almoço, do horário de trabalho, de um filme, de uma música, de um dia. Bem próximo, bem em frente. Tão próximo que nem nos apercebemos dele. É marcado pelo ritmo inexorável do tempo. Agora mesmo você está experimentando esse fim ao ler a última palavra desse período.
- O fim é o que não retorna – O fim também tem esse sentido. Essa noção nos ajuda a repensar a vida; a sermos mais responsáveis em relação aos nossos atos, decisões, palavras. Não há como voltar atrás, quando se fez algo. Você pode tentar corrigir, mudar, mas não resgatar o momento como tal. O tempo não para.
- O fim é o que transforma – Transforma algo ou nos transforma. Mas também é o que se transforma. A morte, na perspectiva da fé na ressurreição, tem este sentido. Pense, por exemplo, na lagarta: o fim é a transformação em uma borboleta. “Assim também é a ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível” (1Cor 15, 42).
- Enfim, o fim é agora – O fim não é algo que está lá na frente ou lá fora. Está próximo de nós, dentro de nós, está acontecendo agora. Agora células estão chegando ao fim em nosso corpo. Agora algo está sendo pontuado em nossa vida. Na maioria os “grandes fins” são precedidos pelos pequenos e imperceptíveis fins. Há que se acolher esse processo. A vida no mundo material tem essa dinâmica. Mas é bom lembrar um outro autor – o químico Lavoisier – que afirma: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
- O fim é o feto – Mas o fim é o feto pronto para nascer. É o recomeço. Assim foi para Jesus a morte. Aquilo que parecia o fim absoluto, tornou-se o recomeço de toda a humanidade. Se, por um lado, a vida traz já em si a semente da morte, por outro lado, a morte traz a semente da eternidade, a vida ilimitada e sem fim. Para quem crê, o fim será sempre um feto, algo sendo gerado em nosso interior. “Desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que quando isso se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é” (1Jo 3, 2).
Interiorize dizendo:
Todo fim é para mim a possibilidade de me transformar!
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