Espiritualidade - Setembro de 2010 (Especial)
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Não sei se foi gerada na dor ou se regada com o mais pleno cuidado,
Só sei que vem trazendo no peito um jeito de mãe, os cuidados de pastora.
Sei também que derrama assombro nas profundezas,
para tornar incomum a poesia de cada um.

A primavera é soberana
Chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome,
nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la.
Ela virá com o vigor de cada amanhecer, com a mansidão da aurora.
Ela chega discreta, na metamorfose divina
com seus encantos, sua beleza, seus vários perfumes,
com seu jeito peculiar, dá vida ao seco e traz vigor ao cansado.

Tempo de exuberância...
Uma eclosão de cores em uma brisa que enternece.
Crianças brincando na chuva sob um céu colorido.
Olhares sorridentes pulsando nos movimentos, mãos se unindo.
Ah, doce e bela primavera!
Livra as nossas almas da cegueira e da surdez,
pois não queremos passar sem ver e sem ouvir.

Que tempo é esse?
Tempo de saborear e não de saber.
É tempo de correr sobre os montes e dançar nos vales.
Tempo de deixar a imaginação voar na direção do belo e
tempo de beijar, com carinho, as mãos benditas, modeladoras e amigas.

Falando aos místicos...
Eu digo que primavera é tempo de rezar cheio de espanto.
Tempo de não deixar a alma contemplativa se dispersar.
Tempo de mergulhar na euforia silenciosa da natureza e adorar.
Tempo de colocar velas luminosas por entre os dedos e tempo de tirar as sandálias.
Tempo de beber com afã na taça da natureza e se inebriar com tanta beleza.

Falando aos poetas...
Eu digo que primavera, é tempo de libertar o pensar e encher de variadas tintas os pincéis.
Tempo de ralentar os passos e se maravilhar ao máximo com a oferenda.
É tempo de dar leveza aos pés, tempo de lavar os olhos na fonte que flui dos montes.
e se envolver com o perfume despejado no bojo dos humanos.
É tempo de vestir as vestes novas do festim, pois é tempo de festa.

Falando ao ancião...
Ao ancião eu murmuraria que primavera é tempo de sentir o gostoso cheiro da terra.
Tempo de aplaudir o riso dos rios e tempo de gastar tempo nos bancos da praça.
Diria que é tempo de escutar o silêncio das matas e o canto dos matos.
Tempo de tirar as algemas da alma e deixá-la vagar fascinada.
Diria que é tempo de misturar suas rezas às rezas do universo.

Ao jardineiro
Diria que primavera é convite para manejar a enxada, a foice ou o machado
com afetuosa manha.
Digo que o solo pisado por seus pés é santo
e que ter calos nos pés – e não tê-los na alma – o faz sagrar muitos caminhos.

Falando ao camponês:
Digo que primavera é tempo de tocar nas raízes com delicadeza,
como se tocasse no inventor de tal estação e visão.
Digo que é tempo de acordar depressa a admiração e a canção.
Digo que é a época da poesia e momento do Grande Poeta se distribuir!
Digo que primavera é a hora da natureza remodelada beijar em lágrimas as mãos do seu Inventor.

Ao Erudito:
Digo que primavera é tempo de tocar no milagre eclodido da dor muda do inverno.
Tempo de descalçar a alma e andar estupefato.
Tempo de ver a vida se erguendo do pó.
Tempo de acabar com a surdez do som e tempo de recriar o desejo de voar.

Ao homem errante:
Gritarei que primavera é o fim da angústia assombrosa do inverno,
O terminar da sede, do grito, da solidão e da saudade.
Gritarei a ele que somos luta com vitórias
e que a vida tem doçura, tem oásis, tem regatos.

Ao homem do nosso tempo:
Digo que primavera é mais que um tempo no tempo, é um Templo.
É mais que canção, poesia e rima, é fonte inspiradora.
Digo que é roupa nova dada à natureza despida e encolhida no inverno.
Que é tempo de música suave e de sons graves.
Tempo de caminhar adorando.

Tempo de exuberância:
Primavera é tempo da perpetuação da vida, tempo da esperança erguer, jubilosa o seu cantar.
Tempo de ouvir o arrulhar da rolinha e tempo das vinhas em flor espalharem suas fragrâncias.
Também é tempo de achar o rebento da figueira
e tempo da natureza declarar que seu Deus é Lindo e Grandioso.

Ao saudoso do além:
Peço: não deixe os pássaros irem, para não calar a voz da tua primavera.
Não deixe a fonte parar de borbulhar, pois sua canção incita a busca do manancial.
Peço não encolher os sonhos e não limitar as expectativas.
Guarde a fé, pois, depois de muita chuva, o céu sempre nasce azul;
preserve a calma, pois a paz da natureza vem sentar ao seu lado.

O que fazer imerso em tanta beleza?
Escrever poesias, pois há tantas à espera de serem escritas.
Obedecer ao Mestre Jesus e olhar os lírios do campo.
Desejar ficar pequeno, para continuar sendo parte de uma grande sinfonia.
Apreciar cada capim, cada regato, cada nuvem, cada coruja,
E dançar com os ventos que brincam com as folhas.

O que torna Setembro especial?
A primavera, pois essa estação mexe com os nossos sentimentos.
O ar, pois ele se torna mais perfumado.
As cores das flores, pois são mais vivas e belas.
O clima ameno das tardes mais longas, pois isso contagia.
Setembro é tempo de mudanças.
Que você, assim como a natureza, depois de tempos de frio e seca,
ache novos caminhos e, como a primavera, construa novas experiências.

Por isso a hora é agora!
Acorde sua intuição, desperte sua capacidade criadora,
reclame menos e elogie mais. Contemple sem descanso e sem se cansar.
Quais magos nas horas primeiras do nascimento do Cristo,
entre na estações das flores com sua oferenda nas mãos.
Quais pastores, dobre seus joelhos e se encha da luz das estrelas.

O que fazer na primavera?
É preciso preservar a beleza dos nossos corações.
Saber olhar com pureza de alma.
Respirar como se nascêssemos a cada instante.
Agir na calma e na serenidade.
Cultivar uma flor, mergulhar em águas limpas.
Ouvir uma melodia, agradecer a vida.

A primavera traz o que para nós?
Ventos grávidos de bênçãos,
a canção da mãe terra,
correntes mais frescas,
manhãs mui esplendorosas.
Ela traz o abraço mais terno do mais terno e amante Criador!

Ir. Penha, PMMI
pastoral.pequenasmissionarias@gmail.com




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