NOTÍCIAS DO MUNDO CATÓLICO - MARÇO/2007
Fonte: ZENIT



 Dia 23 de Março de 2007

  1. Cardápio do Papa em São Paulo terá frutas tropicais


  2. SÃO PAULO, sexta-feira, 23 de março de 2007 (ZENIT.org).- Os anfitriões de Bento XVI em São Paulo servirão ao pontífice pratos típicos italianos e alemães e também frutas tropicais.

    Foi o que revelou dom João Evangelista Kovas, prior do Mosteiro de São Bento, local onde o Papa se hospedará no centro da cidade.

    «Serviremos pratos típicos da Itália e da Alemanha para que o Santo Padre não estranhe a alimentação nesses dias. Vamos incorporar a este menu grande variedade de frutas tropicais», afirmou o prior.

    Segundo Dom João, quem está cuidando do preparo e especificidades de tal cardápio é um casal de empresários do setor alimentício, oriundos de uma família muito tradicional de São Paulo.

    De acordo com a arquidiocese de São Paulo, os nomes não serão divulgados, mas serão registrados no livro de ouro, onde também estão sendo registrados os demais colaboradores do Mosteiro.

    «Mantemos esta discrição por respeito a todos os que nos ajudam neste momento. É uma forma de não medir ou comparar os esforços que estão sendo empregados no serviço ao Santo Padre», afirmou.

  3. «Somos seguidores de Cristo», recordou novo arcebispo de São Paulo a seminaristas


  4. Dom Odilo Scherer inaugurou período letivo no Mater Ecclesiae do Brasil

    SÃO PAULO, quinta-feira, 22 de março de 2007 (ZENIT.org).- No dia 5 de março passado, ao ditar a aula inaugural no Seminário Mater Ecclesiae do Brasil (município de Itapecerica da Serra - São Paulo), o novo arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, afirmou: «somos discípulos de Cristo, ou seja, seguidores de Cristo e também missionários».

    O bispo, que atua como secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) até maio próximo, enfatizou aos 150 seminaristas assistentes que eles devem ser «homens que sabem dar razões da própria fé com alegria e testemunho».

    «Hoje mais que nunca a Igreja precisa da intelectualidade católica para poder enfrentar e afrontar a quem quer derrubar a fé em Cristo e na Igreja.»

    No Seminário Mater Ecclesiae, nesse dia, pela manhã, Dom Odilo celebrou a Santa Missa para os seminaristas que ali estudam, concelebrada pelos padres formadores do Seminário.

    Em sua homilia convidou a todos a aproveitarem o tempo de quaresma para renovar sua entrega ao Senhor, mediante a caridade misericordiosa para com nossos irmãos.

    Ainda pela manhã pronunciou uma conferência sobre o tema “A agenda da V Conferência do Episcopado Latino-Americano. Metas e objetivos”. Também foi acompanhado por Dom Emilio Pignoli, bispo de Campo Limpo, diocese à qual pertence o Seminário. Estiveram presentes os professores do Seminário e convidados especiais.

    Nas duas horas que durou a aula inaugural fez um resumo de todas as conferências anteriores do episcopado da América Latina, que aconteceram no Rio de Janeiro (1955), Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992).

    Após isso, centrou-se no tema da V Conferência, que se realizará em maio, em Aparecida (Brasil), com a presença do Papa Bento XVI para a abertura dos trabalhos.

    Ilustrou os desafios que serão enfrentados nesta conferência, e insistiu na necessidade, não só de conservar, mas de defender a identidade de cristãos.

    «Somos discípulos de Cristo, ou seja, seguidores de Cristo e também missionários [...], homens que sabem dar razões da própria fé com alegria e testemunho» --disse--. «Hoje mais que nunca a Igreja precisa da intelectualidade católica para poder enfrentar e afrontar a quem quer derrubar a fé em Cristo e na Igreja».

    Assim fez um convite aos seminaristas a tomar muito a sério sua formação acadêmica para depois formar os povos a quem serão enviados.

    Mater Ecclesiae

    O Seminário “Maria Mater Ecclesiae” (SMME) é um centro de formação sacerdotal, dirigido pelos padres Legionários de Cristo, que nasceu no Brasil em resposta às diretrizes marcadas pelo Papa João Paulo II para colaborar com os bispos na preparação de futuros formadores de sacerdotes.

    O pedido para estabelecer este seminário no Brasil foi feito aos legionários de Cristo e foi assinado por mais de 30 bispos, encabeçados por Dom Lucas Moreira Sales. O Mater Ecclesiae é aberto a seminaristas diocesanos que, a critério do seu Ordinário, possam no futuro dedicar-se à tarefa de formar ministros da Igreja de Cristo.

  5. Direitos das crianças estão acima dos debates ideológicos


  6. Proposta da professora Janne Matlary

    ROMA, sexta-feira, 23 de março de 2007 (ZENIT.org).- A defesa dos direitos das crianças ajuda a superar os debates ideológicos atuais, que estão tendo por vítima a família, considera a professora Janne Halaand Matlary.

    Professora de Ciências Políticas da Universidade de Oslo, ex-secretária de Estado para Assuntos Exteriores da Noruega, Matlary pronunciou a conferência inaugural do XVII congresso internacional «Direitos e responsabilidades da Família», que se celebra em Roma de 23 a 24 de março, por iniciativa da International Federation for Family Development (IFFD).

    Na conferência, que teve por título «A família pode definir-se pelas políticas ocidentais?», Matlary perguntou se é necessária uma redefinição legal e política da família.

    O debate político atual, considera Matlary, é testemunha do conflito entre duas perspectivas diferentes.

    Por um lado está o construtivismo, que parte do pressuposto segundo o qual o gênero, a paternidade e a maternidade são uma construção social e, portanto, estão submetidos à mudança.

    A esta visão se opõe a perspectiva de quem apóia a família como instituição natural em todas as culturas e sociedades.

    A batalha tem um tema central: o Parlamento pode mudar a definição de família? Um Estado pode fazê-lo? E um juiz?

    Um problema crucial, acrescentou, é que, se os direitos humanos dependem das diferentes interpretações, então, podem continuar definindo-se como direitos humanos?

    Como poderia a Europa defender os direitos humanos no exterior se os Estados europeus começaram a redefinir os direitos humanos em seu interior? -- perguntou-se, por exemplo.

    Se a liberdade fosse deixada aos estados «hipócritas», para interpretarem os direitos humanos como quisessem, toda a política exterior do Ocidente desapareceria imediatamente, reconheceu.

    Para superar os debates ideológicos, Matlary propôs uma solução: «aceitar que as crianças têm direitos que os adultos não têm, e que estes direitos estão antes dos direitos dos adultos».

    Concentrar-se nos direitos das crianças não autoriza a falta de atenção pela unidade da família, pois as crianças precisam de atenção e estabilidade, constatou.

    Se ao invés de falar do direito dos adultos a casar-se, se falasse do direito das crianças a ter pais e famílias estáveis, então se reduziria a força das reivindicações individualistas, concluiu a professora.

  7. Papa recebe convite para intervir ante Parlamento Europeu


  8. Proposta do presidente da Eurocâmara, Hans-Gert Pottering

    CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de março de 2007 (ZENIT.org).- O presidente do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pottering, convidou Bento XVI, nesta sexta-feira, a tomar a palavra em uma sessão plenária da Eurocâmara.

    Pottering, alemão, foi recebido em audiência privada no final de sua visita a Roma, na qual participou de um congresso convocado pela Comissão dos Episcopados da Comunidade Européia, por ocasião do 50º aniversário dos Tratados de Roma, que instituíram a Comunidade Européia.

    «O presidente aproveitou esta ocasião para transmitir um convite ao Papa a pronunciar um discurso durante uma sessão plenária do Parlamento Europeu», informou o serviço de imprensa do presidente.

    Pottering foi um dos promotores do reconhecimento das raízes cristãs no Tratado constitucional europeu.

    João Paulo II tomou a palavra ante o Parlamento Europeu de Estrasburgo em 11 de outubro de 1988.

  9. Bento XVI e presidenta da Irlanda constatam raízes cristãs da Europa


  10. CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de março de 2007 (ZENIT.org).- A audiência que Bento XVI concedeu nesta sexta-feira à presidenta da Irlanda, Mary McAllese, serviu para afirmar as raízes cristãs da Europa.

    Depois do encontro com o Santo Padre, a presidenta foi recebida também pelo secretário de Estado, o cardeal Tarcisio Bertone.

    «Falou-se dos temas mais gerais da construção da Europa e de suas raízes cristãs, assim como do desenvolvimento do processo de paz na Irlanda do Norte», explica um comunicado emitido posteriormente pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

    «Durante os colóquios, que se desenvolveram em um clima de grande cordialidade -- acrescenta a nota --, foram tratados os problemas sobre a situação da Igreja na Irlanda e se aprofundaram em particular no início positivo do ‘Diálogo Estruturado’ entre o Estado e as Igrejas, segundo o espírito do novo Tratado Constitucional Europeu, como via promissora para uma contribuição positiva das Igrejas na vida da sociedade.»

    Por último, o Papa e seus colaboradores manifestaram estima «pelo compromisso irlandês na ajuda desinteressada ao desenvolvimento dos países mais pobres da África, através do ‘White Paper on Aid’».

  11. Prioridades da comunicação para Igreja


  12. Dom Foley revela conclusões da assembléia do Conselho para as Comunicações Sociais

    GAP (FRANÇA), sexta-feira, 23 de março de 2007 (ZENIT.org).- A formação constitui uma das prioridades no compromisso da Igreja para evangelizar através das comunicações sociais, revelou o arcebispo John P. Foley.

    O presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais constata isso em uma mensagem, lida em seu nome por Thaddeus Jones, desse dicastério vaticano, 2007, ante a reunião da Comissão para os Meios de Comunicação dos Bispos da Europa, que se celebra no Santuário de Notre-Dame de Laus, Gap (França) de 23 a 25 de março.

    Em sua mensagem, Dom Foley, que neste momento se encontra em visita pastoral na África do Sul, informa sobre as conclusões da recente assembléia plenária do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, celebrada no Vaticano de 5 a 9 de março de 2007, sobre o tema «Prioridades da comunicação para a Igreja e para nosso Conselho».

    Segundo os participantes do encontro do Conselho vaticano, que no final foram recebidos em audiência por Bento XVI, as prioridades identificadas para a Igreja no campo da comunicação são as seguintes:

    Formação na comunicação e meios de comunicação, e treinamento para seminários, professores, seminaristas, clero, religiosos e leigos; Educação nos meios de comunicação para todas as idades em todas as escolas; Melhorar a presença na Internet (educação à distância, imprensa virtual, blogs, vídeo, livre acesso);

    Estudar e utilizar melhor as linguagens dos meios de comunicação, em contínua evolução, com uma sensibilidade particular pelas culturas locais (inculturação);

    Promoção das rádios locais.

    Nessa reunião, foram analisadas também as prioridades para o Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais.

    Segundo as indicações dos participantes na assembléia, as prioridades para esse dicastério vaticano são:

    Organizar uma jornada de estudo ou criar uma organização para proteger e educar as crianças em sua relação com os meios de comunicação;

    Dar mais importância e reconhecimento à Ásia e à África;

    Organizar encontros internacionais para criar um melhor entendimento mútuo e possíveis sinergias entre os profissionais dos meios de comunicação católicos; Estabelecer canais permanentes de intercâmbio e reflexão com as universidades católicas sobre o tema da comunicação e dos meios de comunicação;

    Continuar com a idéia de um banco de programas para televisão compartilhados, e considerar uma plataforma de intercâmbio de notícias para a televisão.

    Dom Foley informa aos participantes do encontro europeu de comissões episcopais da Europa que o Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais neste último ano se internacionalizou, graças a seus novos oficiais: o sacerdote boliviano Pe. Ariel Beramendi, e o sacerdote de Burkina Faso Pe. Janvier Yameogo.

  13. Pregador do Papa: «Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis saciados»


  14. Terceira pregação de Quaresma ao Papa e à Cúria

    CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de março de 2007 (ZENIT.org).- «Bem-aventurados vós que agora tendes fome, porque sereis saciados -- As bem-aventuranças evangélicas» é o tema da terceira pregação da Quaresma que, ante Bento XVI e a Cúria, pronunciou nesta sexta-feira o Pe. Raniero Cantalamessa O.F.M. Cap., pregador da Casa Pontifícia.

    Oferecemos integramente o texto desta pregação.

    Pe. Raniero Cantalamessa

    «BEM-AVENTURADOS OS QUE AGORA SENTEM FOME, PORQUE SERÃO SACIADOS»

    Terceira Pregação da Quaresma à Casa Pontifícia

    1.História e Espírito
    A investigação sobre o Jesus histórico, hoje tão em auge -- tanto a feita por estudiosos crentes como a radical dos não-crentes -- esconde um grave perigo: o de induzir a crer que só o que, por esta nova via, se possa remontar ao Jesus terreno é «autêntico», enquanto que todo o demais seria não-histórico e, portanto, não «autêntico». Isso significaria limitar indevidamente só à história os meios que Deus tem à disposição para revelar-se. Significaria abandonar tacitamente a verdade de fé da inspiração bíblica e, portanto, o caráter revelado das Escrituras.

    Parece que esta exigência de não limitar unicamente à história a investigação sobre o Novo Testamento começa a abrir caminho entre diversos estudos da Bíblia. Em 2005, celebrou-se em Roma, no Instituto Bíblico, uma consulta sobre «Crítica canônica e interpretação teológica» («Canon Cristicism and Theological Interpretation»), com a participação de eminentes estudiosos do Novo Testamento. Tinha o objetivo de promover este aspecto da investigação bíblica que leva em consideração a dimensão canônica das Escrituras, integrando a investigação histórica com a dimensão teológica.

    De tudo isso deduzimos que «palavra de Deus» e, portanto, normativa para o crente, não é o hipotético «núcleo originário» diversamente reconstruído pelos historiadores, mas o que está escrito nos evangelhos. O resultado das investigações históricas deve ser levado enormemente em conta porque é o que deve orientar a compreensão também dos desenvolvimentos posteriores da tradição, mas a exclamação «Palavra da Salvação!» nós seguiremos pronunciando-a ao término da leitura do texto evangélico, não ao término da leitura do último livro sobre o Jesus histórico.

    As duas leituras, a histórica e a de fé, têm entre si um importante ponto de encontro. «Um evento é histórico -- escreveu um eminente estudioso do Novo Testamento -- quando aparecem nele dois requisitos: ‘aconteceu’ e também assumiu uma relevância significativa determinante para as pessoas que estiveram envolvidas nele e estabeleceram sua narração» [1]. Existem infinitos fatos realmente ocorridos que, no entanto, não pensamos em definir como «históricos», porque não deixaram marca alguma na história, não suscitaram nenhum interesse, nem fizeram nascer nada novo. «Histórico» não é, portanto, o descarnado fato de crônica, mas o fato mais o significado dele.

    Neste sentido, os evangelhos são «históricos» não só pelo que referem ter verdadeiramente ocorrido, mas pelo significado dos fatos que trazem à luz sob a inspiração do Espírito Santo. Os evangelistas, e a comunidade apostólica antes deles, com seus adendos e destaques diversos, não fizeram senão evidenciar os diferentes significados ou implicações de uma determinada fala ou fato de Jesus.

    João se preocupa por fazer que se explique antecipadamente por Jesus mesmo este fato quando lhe atribui as palavras: «Muito tenho ainda por dizer-vos, mas agora não podeis com isso. Quando vier o Espírito da verdade, Ele vos guiará até a verdade completa; pois não falará por sua conta, mas falará o que ouvir e vos anunciará o que há de vir» (João 16, 12-13).

    Estas observações nos são de particular utilidade quando se trata do uso que é preciso fazer das bem-aventuranças evangélicas. É bem sabido que as bem-aventuranças nos chegaram em duas versões diferentes. Mateus tem oito bem-aventuranças; Lucas só quatro, seguidas, no entanto, de outros tantos «ai» contrários. Em Mateus, o discurso é indireto: «Bem-aventurados os pobres», «bem-aventurados os que têm fome»; em Lucas o discurso é direto: «bem-aventurados vós, os pobres», «bem-aventurados os que tendes fome»; Lucas diz «pobres» e «famintos», Mateus pobres «de espírito» e famintos «de justiça».

    Depois de todo o trabalho crítico realizado para distinguir o que, nas bem-aventuranças, se remonta ao Jesus histórico e o que é próprio de Mateus e de Lucas, [2], a tarefa do crente de hoje não é a de escolher como autêntica uma das duas versões e deixar de lado a outra. Trata-se mais de recolher a mensagem contida em uma e outra versão evangélica e -- segundo os casos e as necessidades de hoje -- avaliar, cada vez, uma ou outra perspectiva, como fez cada um dos dois evangelistas em seu tempo.

    2. Quem são os famintos e quem são os saciados
    Seguindo este princípio, refletimos hoje sobre a bem-aventurança dos famintos, partindo da versão de Lucas: «Bem-aventurados vós que agora sentis fome, porque sereis saciados». Veremos, em um segundo momento, que a versão de Mateus, que fala de «fome de justiça», não se opõe à de Lucas, mas que a confirma e reforça.

    Os que têm fome, na bem-aventurança de Lucas, não constituem uma categoria diferente dos pobres mencionados na primeira bem-aventurança. São os mesmos pobres considerados no aspecto mais dramático de sua condição, a falta de alimento. Paralelamente, os «saciados» são os ricos que em sua prosperidade podem satisfazer não só a necessidade, mas também a vontade ao comer. É o próprio Jesus quem se preocupou em explicar quem são os saciados e quem são os que têm fome. E o fez com a parábola do rico e Lázaro (Lc 16, 19-31). Também esta considera pobreza e riqueza sob a perspectiva da falta ou superabundância de alimento: o rico «celebra todos os dias esplêndidas festas»; o pobre «desejava fartar-se do que caia da mesa do rico».

    A parábola, contudo, não explica só quem são os famintos e quem são os saciados, mas também, e sobretudo, por quê os primeiros são declarados bem-aventurados e os segundos desventurados: «Um dia o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado... no inferno entre tormentos».

    A riqueza e a saciedade tendem a encerrar o homem em um horizonte terreno porque «onde estiver teu tesouro, ali estará também teu coração» (Lc 12, 34); agravam o coração com a dissipação e a embriaguez, sufocando a semente da palavra (cf. Lc 21, 34); fazem o rico esquecer que na noite seguinte poderia pedir-lhe contas de sua vida (Lc 16, 19-31); tornam a entrada no Reino «mais difícil que para um camelo passar pelo buraco de uma agulha» (Lc 18, 25).

    O rico e os demais ricos do evangelho não são condenados pelo simples fato de serem ricos, mas pelo uso que fazem, ou não, de sua riqueza. Na parábola do rico, Jesus dá a entender que teria, para o rico, um caminho de saída, o de lembrar-se de Lázaro à sua porta e compartilhar com ele sua opulenta comida.

    O remédio, em outras palavras, é tornar-se «amigos dos pobres com as riquezas» (Lc 16, 9); o administrador infiel é elogiado por ter feito isso, ainda que em um contexto errado (Lc 16, 1-8). Mas a saciedade confunde o espírito e torna extremamente difícil ir por esta via; a história de Zaqueu mostra como é possível, mas também quão raro é. Daí o porquê do «ai» dirigido aos ricos e aos saciados; um «ai!», ao contrário, que é mais um «atenção!» que um «malditos!».

    3.Aos famintos cumulou de bens
    Desde este ponto de vista, o melhor comentário à bem-aventurança dos pobres e dos que têm fome é o que diz Maria no Magnificat.

    «Ele realiza proezas com seu braço: dispersa os soberbos de coração, derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias.» (Lc 1, 51-53).

    Com uma série de poderosos verbos, Maria descreve uma mudança radical de partes entre os homens: «Derrubou -- exaltou; saciou - despediu sem nada». Algo, portanto, já sucedido ou que sucede habitualmente na ação de Deus. Contemplando a história, não parece que tenha havido uma revolução social pela qual os ricos, de um dia para o outro, tenham empobrecido e os famintos tenham sido saciados de alimento. Se, portanto, o que se esperava era uma mudança social e visível, houve um desmentido total por parte da história.

    A transformação aconteceu, mas na fé! O reino de Deus se manifestou e isso provocou uma silenciosa, mas radical revolução. O rico aparece como um homem que economizou uma ingente soma de dinheiro; à noite houve um golpe de estado com uma desvalorização de 100%; de manhã o rico se levanta, mas não sabe que é um pobre miserável. Os pobres e os famintos, pelo contrário, estão em vantagem, porque estão mais dispostos a acolher a nova realidade, não temem a mudança; têm o coração preparado.

    São Tiago, dirigindo-se aos ricos, dizia: «Chorai e dai alaridos pelas desgraças que estão para cair sobre vós. Vossa riqueza está podre» (Tiago 5, 1-2). Também aqui, nada testifica que em tempos de São Tiago os bens dos ricos apodreceram nas fazendas. O apóstolo quer dizer que ocorreu algo que os fez perder todo valor real; revelou-se uma nova riqueza. «Deus -- escreve também São Tiago -- escolheu os pobres segundo o mundo como ricos na fé e herdeiros do Reino» (ST 2, 5).

    Mais que «um convite a derrubar as potestades de seus tronos para exaltar os humildes», como às vezes se escreveu, o Magnificat é uma saudável advertência dirigida aos ricos e aos poderosos acerca do tremendo perigo que correm, exatamente como o «ai» de Jesus e a parábola do rico.

    4.Uma parábola atual
    Uma reflexão sobre a bem-aventurança dos que têm fome e dos saciados não pode contentar-se com explicar seu significado exegético; deve ajudar-nos a ler com olhos evangélicos a situação em marcha a nosso redor e a atuar nela no sentido indicado pela bem-aventurança.

    A parábola do rico e do pobre Lázaro se repete hoje, entre nós, em escala mundial. Ambos personagens inclusive representam os dois hemisférios: o rico, o hemisfério norte (Europa ocidental, América, Japão); o pobre Lázaro é, com poucas exceções, o hemisfério sul. Dois personagens, dois mundos: o primeiro mundo e o «terceiro mundo». Dois mundos de desigual tamanho: o que chamamos «terceiro mundo» representa na realidade «dois terços do mundo» (está se afirmando o uso de chamá-lo precisamente assim: não «terceiro mundo», third world, mas «dois terços do mundo», two-third world).

    Há quem comparou a terra a uma astronave em vôo pelo cosmos, na qual um dos três astronautas a bordo consome 85% dos recursos presentes e briga por ter também os 15% restantes. O desperdício é habitual nos países ricos. Há anos, uma pesquisa realizada pelo Ministério de Agricultura americano calculou que, de 161 bilhões de quilos de produtos alimentares, 43 bilhões, isto é, cerca da quarta parte, acabam no lixo. Deste alimento jogado fora, se poderiam recuperar facilmente, se quisessem, cerca de 2 bilhões de quilos, uma quantidade suficiente para alimentar durante um ano quatro milhões de pessoas.

    O maior pecado contra os pobres e os famintos é talvez a indiferença, fingir não ver, «dar meia volta» (cf. Lc 10, 31). Ignorar as imensas multidões de mendigos, sem teto, sem cuidados médicos e, sobretudo, sem esperança de um futuro melhor -- escrevia João Paulo II na encíclica «Sollicitudo rei socialis» -- «significaria parecer-nos ao rico que fingia não conhecer o mendigo Lázaro, prostrado à sua porta» [3].

    Tendemos a pôr, entre nós e os pobres, um vidro duplo. O efeito do vidro duplo, hoje tão aproveitado, é que impede a passagem do frio e do barulho, dilui tudo, faz chegar tudo amortecido, atenuado. E, de fato, vemos os pobres mover-se, agitar-se, gritar na tela da televisão, nas páginas dos jornais e das revistas missionárias, mas seu grito nos chega como de muito longe. Não chega ao coração, ou chega a ele só por um momento.

    A primeira coisa que se deve fazer com relação aos pobres é, portanto, romper o «vidro duplo», superar a indiferença, a insensibilidade, abandonar as barreiras e deixar-se invadir por uma sã inquietude por causa da espantosa miséria que há no mundo. Estamos chamados a compartilhar o suspiro de Cristo: «Sinto compaixão por esta gente que não tem nada que comer»: mi sereor super turba (Cf. Mc 8, 2). Quando se tem ocasião de ver com os próprios olhos o que é a miséria e a fome, visitando as aldeias ou as periferias das grandes cidades em certos países africanos (aconteceu comigo há alguns meses em Ruanda), a compaixão deixa sem palavras.

    Eliminar ou reduzir o injusto e escandaloso abismo que existe entre os saciados e os famintos do mundo é a tarefa mais urgente e mais ingente que a humanidade carregou consigo sem resolver ao entrar no novo milênio. Uma tarefa na qual sobretudo as religiões deverão distinguir-se e encontrar-se unidas muito além de toda rivalidade. Uma empresa desta envergadura não pode ser promovida por nenhum líder ou poder político, condicionado como está pelos interesses da própria nação e freqüentemente por poderes econômicos fortes. O Santo Padre Bento XVI deu exemplo disso com o forte chamado, dirigido em janeiro passado, ao corpo diplomático acreditado ante a Santa Sé, como fez também no ano passado na mesma ocasião:

    «Entre as questões essenciais, como não pensar nos milhões de pessoas, especialmente mulheres e crianças, que carecem de água, comida e moradia? O escândalo da fome, que tende a agravar-se, é inaceitável em um mundo que dispõe de bens, de conhecimentos e de meios para saná-la» [4].

    5. «Bem-aventurados os que têm fome de justiça»
    Dizia a princípio que as duas versões das bem-aventuranças dos famintos, a de Lucas e a de Mateus, não se apresentam alternativamente, mas que se integram reciprocamente. Mateus não fala de fome material, mas de fome e sede de «justiça». Destas palavras se deram duas interpretações fundamentais.

    Uma, em linha com a teologia luterana, interpreta a bem-aventurança de Mateus à luz do que dirá São Paulo sobre a justificação mediante a fé. Ter fome e sede de justiça significa tomar consciência da própria necessidade de justiça e da incapacidade para procurá-la apenas com as obras e, portanto, esperá-la humildemente de Deus. A outra interpretação vê na justiça «não a que Deus mesmo põe por obra ou a que Ele concede, mas a que Ele reclama do homem» [5], em outras palavras, as obras de justiça.

    À luz desta interpretação, a mais comum e exegeticamente mais fundada, a fome material de Lucas e a fome espiritual de Mateus já não carecem de relação entre si. Estar do lado dos famintos e dos pobres entra nas obras de justiça e será, mais ainda, segundo Mateus, o critério segundo o qual ocorrerá ao final a separação entre justos e injustos (Cf. Mt 25).

    Toda a justiça que Deus pede do homem se resume no duplo mandamento do amor a Deus e ao próximo (Cf. Mt 22, 40). É o amor ao próximo portanto o que deve impulsionar os que têm fome de justiça a preocupar-se dos famintos de pão. E este é o grande princípio através do qual o Evangelho atua no âmbito social. Quanto a este ponto, havia-o percebido adequadamente a teologia liberal:

    «Em nenhuma parte do Evangelho – escreve um de seus mais ilustres representantes, Adolph Von Harnack – encontramos que ensine a nos mantermos indiferentes perante os irmãos. A indiferença evangélica (não se preocupar com o alimento, as vestes, o amanhã) expressa mais que tudo o que cada alma deve sentir ante o mundo, seus bens e suas lisonjas. Quando se trata, em contrapartida, do próximo, o Evangelho não quer nem ouvir falar de indiferença, mas que impõe amor e piedade. Ademais, o Evangelho considera absolutamente inseparáveis as necessidades espirituais e temporais dos irmãos» [6].

    O Evangelho não incita os famintos a se fazerem sozinhos na justiça, ao se lançarem, também porque nos tempos de Jesus – diferentemente de hoje – aqueles não tinham instrumento algum, nem teórico nem prático, para fazê-lo; não lhe pede o inútil sacrifício de ir a deixar-se matar detrás de algum agitador ou qualquer Espártaco local. Jesus atua sobre a parte forte, não sobre a parte débil; afronta, Ele, a ira e o sarcasmo dos ricos, não deixa que sejam as vítimas as que o façam.

    Buscar a todo custo, no Evangelho, modelos ou convites explícitos dirigidos aos pobres e aos famintos para que se empreguem em mudar sozinhos a própria situação é vão e anacrônico, e faz perder de vista a verdadeira contribuição que ele pode dar a sua causa. Neste caso tem razão Rudolph Bultmann quando escreve que «o cristianismo ignora qualquer programa de transformação do mundo e não tem propostas a apresentar para a reforma das condições políticas e sociais» [7], se bem que sua afirmação necessitaria de alguma distinção.

    O modo das bem-aventuranças não é o único para enfrentar o problema da riqueza e pobreza, fome e saciedade; há outros, feitos possíveis pelo progresso da consciência social, aos quais justamente os cristãos dão seu apoio e a Igreja, com sua Doutrina Social, seu próprio discernimento.

    Existem planos e aspectos da realidade que não se percebem à simples vista, mas apenas com a ajuda de uma luz especial, raios infravermelhos ou ultravioletas. Usa-se amplamente nas fotografias de satélite. A imagem obtida com esta luz é muito diferente e surpreendente para quem está acostumado a ver o mesmo panorama à luz natural. As bem-aventuranças são uma espécie de raios infravermelhos: nos oferecem uma imagem diferente da realidade, a única verdadeira, porque mostra o que ao final permanecerá, quando tiver passado «o esquema deste mundo». 6. Eucaristia e partilha
    Jesus nos deixou uma antítese perfeita do banquete do rico epulão, a Eucaristia. Esta é a celebração diária do grande banquete ao que o Senhor convida os «pobres, os estropiados, os cegos e os cochos» (Lc 14, 15-24), isto é, todos os pobres Lázaros que há ao redor. Nela se realiza a perfeita «comensalidade»: a mesma comida e a mesma bebida, e na mesma quantidade, para todos, para quem preside como para o último que chegou à comunidade, para o riquíssimo como para o paupérrimo.

    O vínculo entre o pão material e o pão espiritual era bem visível nos primeiros tempos da Igreja, quando a ceia do Senhor, chamada agape, tinha lugar no contexto de uma refeição fraterna, na que se partilhava tanto o pão comum como o eucarístico.

    Aos coríntios que haviam errado sobre este ponto, São Paulo escreveu: «Quando, pois, vos reunis, o que fazeis não é comer a Ceia do Senhor; cada um se apressa por comer a própria ceia; e, enquanto um passa fome, o outro fica embriagado» (1 Cor 11, 20-22). Acusação gravíssima; é como dizer: a vossa já não é uma Eucaristia!

    Hoje a Eucaristia já não se celebra no contexto de uma refeição comum, mas o contraste entre quem tem o supérfluo e quem não tem o necessário adquiriu dimensões planetárias. Se projetamos a situação descrita por Paulo da Igreja local de Corinto à Igreja universal, nos damos conta com pesar de que é o que – objetivamente, se bem que nem sempre com culpa – sucede também na atualidade. Entre milhões de cristãos que, nos distintos continentes, participam da Missa dominical, há alguns que, de regresso a casa, têm à disposição todo bem, e outros que não têm nada que dar de comer a seus próprios filhos.

    A recente exortação pós-sinodal sobre a Eucaristia recorda com força: «O alimento da verdade nos impulsiona a denunciar as situações indignas do homem, nas que, por causa da injustiça e da exploração, morre-se por falta de alimento, e nos dá nova força e ânimo para trabalhar sem descanso na construção da civilização do amor» [8].

    O 0,8% [porcentagem de destinação tributária do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas na Itália. Ndt.] melhor gasto é o que se destina à Igreja com este objetivo, sustentando as diversas «Caritas» nacionais e diocesanas, as mesas dos pobres, iniciativas para a alimentação nos países em vias de desenvolvimento. Um dos sinais de vitalidade de nossas comunidades religiosas tradicionais são as mesas dos pobres que existem em quase todas as cidades, nas que se distribuem milhares de refeições ao dia em um clima de respeito e de acolhida. É uma gota em um oceano, mas também o oceano, dizia Madre Teresa de Calcutá, está cheio de pequenas gotas.

    Gostaria de concluir com a oração que rezamos diariamente, antes das refeições, em minha comunidade: «Bendizei, Senhor, este alimento que, por tua bondade vamos receber, ajudai-nos a prover dele também os que não o têm, e fazei de nós partícipes um dia de tua mesa celestial. Por Cristo Nosso Senhor».

    Traduzido por Zenit

    ------------------------------------------------- [1] D. H. Dodd, Storia ed Evangelo, Brescia 1976, p.23.
    [2] Cf. J. Dupont, Le beatitudini, 2 Voll. Edizioni Paoline 1992 (ed. originale Parigi 1969).
    [3] Giovanni Paolo II, Enc. "Sollicitudo rei socialis", n. 42.
    [4] Discours du pape Benoît XVI pour les vœux au corps diplomatique accrédité près le saint- siège, Lundi 8 janvier 2007.
    [5] Cf. Dupont, II, pp. 554 ss.
    [6] A. von Harnack, Il cristianesimo e la società, Mendrisio 1911, pp. 12 ss.
    [7] R. Bultmann, Il cristianesimo primitivo, Milano 1964, p. 203 (Titolo orig. Das Urchristentum im Rahmen der antiken Religionen).
    [8] «Sacramentum caritatis» , n.90.

  15. México: não calarão Igreja em sua defesa do direito à vida


  16. Assegura o presidente da Conferência do Episcopado Mexicano

    MÉXICO, sexta-feira, 23 de março de 2007 (ZENIT.org).- O presidente da Conferência do Episcopado Mexicano (CEM), o bispo de Texcoco, Dom Carlos Aguiar Retes, afirmou de maneira categórica que «a Igreja Católica não será calada para defender o direito à vida».

    Em uma coletiva de imprensa convocada nesta quinta-feira e ante a insistência de legisladores de esquerda e líderes sociais que pediram que a Igreja Católica permaneça fora do debate sobre a descriminação do aborto no Distrito Federal, o purpurado mexicano advertiu que «pelo simples fato de que o México é um país democrático, não calarão a boca da Igreja Católica para defender o direito à vida».

    Também, afirmou Aguiar Retes, a CEM se uniu à convocação da sociedade a manifestar-se no próximo domingo contra a legalização do aborto, proposta por deputados da Assembléia Legislativa do Distrito Federal (ALDF).

    O bispo Aguiar Retes, que também é vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), pediu que a discussão em torno das causas de aborto, que pretendem introduzir os membros da assembléia do Distrito Federal, se amplie e se realize um plebiscito ou pesquisa ou pesquisa para conhecer o ponto de vista da população.

    A marcha contra as medidas que pretende tomar a ALDF, se realizará em domingo, 25 de março próximo, coincidindo com o Dia Internacional pela Vida. Concluirá com uma missa na Basílica de Guadalupe que será presidida pelo cardeal e arcebispo primaz do México, Norberto Rivera Carrera.

  17. Maior pecado contra pobres é indiferença, adverte pregador do Papa


  18. Em sua terceira pregação da Quaresma ao Santo Padre e à Cúria

    CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 23 de março de 2007 (ZENIT.org).- Um alerta ante o pecado da indiferença para com os pobres e um chamado a reduzir o escandaloso abismo que os separa dos saciados foi lançado nesta sexta-feira pelo pregador da Casa Pontifícia ante o Papa e seus colaboradores da Cúria.

    Em sua terceira pregação da Quaresma, em torno das Bem-aventuranças Evangélicas, o Pe. Raniero Cantalamessa, O.F.M. Cap, abordou a aplicação prática que se refere aos pobres e famintos.

    E o fez integrando o que recolhem os evangelhos de Lucas e Mateus: «Bem-aventurados os que agora sentis fome, porque sereis saciados», o primeiro; e a do segundo, que fala dos que têm fome e sede de «justiça».

    Os que têm fome são os pobres «considerados no aspecto mais dramático de sua condição, a falta de alimento»; «paralelamente, os ‘saciados’ são os ricos que em sua prosperidade podem satisfazer não só a necessidade, mas também a vontade ao comer», apontou.

    Ressaltou a advertência evangélica com relação aos «ricos»: «não são condenados pelo simples fato de serem ricos, mas pelo uso que fazem, ou não, de sua riqueza».

    E mostrou a atualidade da parábola do rico e do pobre Lázaro, referindo-a a tudo que acontece, em escala mundial, entre o primeiro e o terceiro mundo.

    «O maior pecado contra os pobres e os famintos é talvez a indiferença», lamentou o pregador do Papa, recordando que «ignorar as imensas multidões de mendigos, sem teto, sem cuidados médicos e, sobretudo, sem esperança de um futuro melhor -- como escrevia João Paulo II na encíclica ‘Sollicitudo rei socialis’ -- significaria parecer-nos ao rico que fingia não conhecer o mendigo Lázaro, prostrado à sua porta».

    Por isso é preciso «abandonar as barreiras e deixar-se invadir por uma sã inquietude por causa da espantosa miséria que há no mundo» -- exortou --, a exemplo de Cristo, que suspirava de compaixão ante as carências da gente.

    «Eliminar ou reduzir o injusto e escandaloso abismo que existe entre os saciados e os famintos do mundo é a tarefa mais urgente e mais ingente que a humanidade carregou consigo sem resolver ao entrar no novo milênio», constatou.

    E é «uma tarefa na qual sobretudo as religiões deveriam distinguir-se e encontrar-se muito além de toda rivalidade», -- afirmou o pregador do Papa -- porque «uma empresa desta envergadura não pode ser promovida por nenhum líder ou poder político, condicionado como está pelos interesses da própria nação e freqüentemente por poderes econômicos fortes».

    Exemplo, a respeito disso, deu Bento XVI com seu «forte chamado» -- recordou o Pe. Cantalamessa -- de janeiro passado ao corpo diplomático acreditado ante a Santa Sé: «o escândalo da fome -- disse naquela ocasião o Santo Padre --, que tende a agravar-se, é inaceitável em um mundo que dispõe de bens, de conhecimentos e de meios para saná-lo».

    Somou a sua reflexão aos que «têm fome de justiça», pois «estar do lado dos famintos e dos pobres entra nas obras de justiça».

    «Toda a justiça que Deus pede do homem se resume no duplo mandamento do amor a Deus e ao próximo -- afirmou o Pe. Cantalamessa. É o amor ao próximo, portanto, o que deve impulsionar os famintos de justiça a preocupar-se pelos famintos de pão. E este é o grande princípio através do qual o Evangelho atua no âmbito social.»

    «Jesus nos deixou uma antítese perfeita do banquete do rico, a Eucaristia», sublinhou: «nela se realiza a perfeita “comensalidade”», «a mesma comida e a mesma bebida, e na mesma quantidade, para todos».

    Mas advertiu o que acontece -- «objetivamente, ainda que nem sempre com culpa» -- inclusive «entre milhões de cristãos que, nos diferentes continentes, participam da Missa dominical», pois «há alguns que, de ao voltar para casa, têm à disposição todo bem, e outros que não têm nada para dar de comer a seus próprios filhos».

    A recente exortação pós-sinodal de Bento XVI sobre a Eucaristia [«Sacramentum caritatis»] «recorda com força -- insistiu o pregador da Casa Pontifícia: o alimento da verdade nos impulsiona a denunciar as situações indignas do homem, nas quais por causa da injustiça e da exploração se morre por falta de comida, e nos dá nova força e ânimo para trabalhar sem descanso na construção da civilização do amor».

  19. «Oração e caridade para fazer renascer Igreja na Coréia do Norte»


  20. Recomenda o cardeal Cheong, administrador apostólico de Pyongyang

    SEÚL, sexta-feira, 23 de março de 2007 (ZENIT.org).- Por ocasião do 80º aniversário da ereção da diocese de Pyongyang, capital da República Popular Democrática da Coréia, os católicos coreanos se reuniram na catedral de Seul, capital da Coréia do Sul, para pedir que o sangue dos mártires do Norte devolva vigor e liberdade à Igreja e aos fiéis oprimidos pelo regime stalinista, informa AsiaNews.

    Continuar rezando pela Coréia do Norte para que o sangue de seus mártires seja semente de liberdade para a Igreja e para toda a população, e ao mesmo tempo manter aberto qualquer possível canal de diálogo com todos os interlocutores, para devolver ao país liberdade e justiça. Este é o convite contido nas mensagens lidas na catedral de Nossa Senhora de Lourdes, em Seul, em 18 de março passado, por ocasião da comemoração do 80º aniversário da ereção de diocese de Pyongyang.

    Em sua homilia, o arcebispo de Seul e administrador apostólico de Pyongyang, cardeal Nicholas Cheong Jin-suk, disse: «Devemos recordar sempre o valor da oração, sobretudo quando pensamos em nossos irmãos do Norte. Sabemos que sua fé está obrigada ao silêncio, e sobretudo por isso devemos elevar orações cada vez mais fervorosas a nosso Salvador».

    O predecessor do cardeal Cheong, o arcebispo emérito Stephen Kim Sou-hwan, acrescentou: «O modo melhor de recordar este drama, para mim, é olhar o Anuário pontifício e ver, cada ano, um vazio (onde deveria estar o nome do atual bispo da capital norte coreana, ndr). Devemos, contudo, recordar sempre que há esperança inclusive onde não parece, porque cremos em Cristo, que sempre ajudou os perseguidos».

    O núncio apostólico, o arcebispo Emil Paul Tscherring, pediu, por sua vez, «recordar na oração a população que sofre» e sublinhou a importância de «fazer o possível para mostrar com ações práticas a solidariedade e o amor cristão».

    Um testemunho importante foi dado pelo Pe. Vittorino Youn Kong-hi, nascido na província de Pyongyang, que depois fugiu do regime stalinista; ele disse: «Estou certo de que na Coréia do Norte há uma base forte para a evangelização. Esta nasceu e se mantém viva graças ao sangue dos mártires coreanos que, como escreve Tertuliano, é semente da fé».

    A situação da Igreja Católica na Coréia do Norte é dramática. Desde o final da guerra civil (1953), as três circunscrições eclesiásticas e toda a comunidade católica foram dizimadas de maneira brutal pelo regime stalinista, que não deixou vivo nenhum sacerdote local e expulsou os estrangeiros. Estimam-se em mais de trezentos mil os cristãos «desaparecidos», durante os primeiros anos da perseguição de Kim Il-sung, o então ditador do país.

    Contudo, o Papa continuou mantendo vivo o clero designado «sedi vacanti et ad nutum Sanctae Sedis» a alguns ordinários sul-coreanos. Atualmente, além do cardeal Cheong, têm cargos Dom John Chan Yik, bispo de Chuncheon e administrador de Hamhung, e o Pe. Simon Peter Ri Hyeong-u, abade do mosteiro beneditino de Waegwan e administrador de Tokwon.

    Para testemunhar a perseguição do regime, no Anuário pontifício aparece ainda o bispo de Pyongyang, Dom Francis Hong Yong-ho (que hoje teria 101 anos), desaparecido em 10 de março de 1962, que nunca foi declarado oficialmente morto.

    Na atualidade, não há estruturas eclesiásticas nem sacerdotais residentes. Depois da inauguração da primeira igreja ortodoxa, na capital norte-coreana em agosto passado, a comunidade católica é a única que não tem nenhum sacerdote para seus fiéis.

    O número oficial de católicos reconhecidos é de 800, um número muito inferior aos três mil declarados recentemente pelo Governo.

    A chamada Associação dos Católicos Norte-Coreanos, uma organização criada e dirigida pelo regime, continua declarando-se interlocutor oficial dos católicos locais. A Santa Sé, contudo, desanimou sempre uma visita dos dirigentes da Associação a Roma, dado que restam sérias dúvidas sobre seu status jurídico e canônico e há, com efeito, suspeitas de que sejam só funcionários de partido e nem sequer católicos.

    Na Coréia do Norte se permite só o culto do líder Kim Jong-II e de seu pai Kim II-Sung. O regime tentou sempre colocar obstáculos à presença religiosa, em especial de budistas e cristãos, e impõe aos fiéis o registro em organizações controladas pelo Partido.

    Pyongyang declara que há liberdade religiosa no país e que ela está garantida pela Constituição: números governamentais oficiais falam de cerca de dez mil budistas, dez mil protestantes e três mil católicos. As estimativas do Governo se referem só aos fiéis inscritos nas associações reconhecidas. Em Pyongyang há três igrejas, duas protestantes e uma católica.

    Segundo o Informe de Ajuda à Igreja que Sofre de 2004 sobre a liberdade religiosa no mundo, nestas igrejas protestantes se faz muita propaganda do regime, e dentro atuam ministros que equiparam o «querido líder» Kim Jong-II a um semideus.

    Na única igreja católica não atua nenhum sacerdote, mas se realiza só uma oração coletiva uma vez por semana.

  21. Caminho da integração européia, 50 anos depois dos Tratados de Roma


  22. Entrevista ao Pe. Jesús Villagrasa, professor de Filosofia

    ROMA, sexta-feira, 23 de março de 2007 (ZENIT.org).- De 23 a 25 de março, por ocasião do qüinquagésimo aniversário dos Tratados de Roma, que marcaram o início do processo de unificação européia, a Comissão dos Episcopados da Comunidade Européia (COMECE), está celebrando em Roma um Congresso de caráter continental.

    Para aprofundar no significado e relevância deste acontecimento e para recordar o caminho realizado até agora pela União Européia, Zenit entrevistou o padre Jesús Villagrasa, professor de Filosofia do Ateneu Pontifício «Regina Apostolorum», que acaba de publicar na Itália o livro «A árvore e a obra. Fidelidade criativa às raízes cristãs de Europa» («L’albero e il cantiere. Fedeltà creativa alle radici cristiane dell’Europa», Ediciones Art, Roma 2006).

    >>Há algo a «celebrar» no próximo dia 25 de março?

    Villagrasa: Cinqüenta anos de integração européia! Não é pouco. É verdade, o momento que o processo de integração está atravessando é delicado. O euro-cepticismo está muito difundido. À aceleração do processo, talvez excessivo, que se deu após o ano 2000 com o objetivo de conseguir o quanto antes um Tratado constitucional que pudesse sancionar a integração política e não só econômica da União Européia (UE), seguiu a brusca freada provocada pelo «não» dos franceses e holandeses à ratificação desse Tratado. Note-se bem que o «não» foi pronunciado precisamente pela população dos dois países fundadores da UE. Para superar esta embaraçosa situação, a Alemanha, presidente de turno da UE durante o primeiro semestre de 2007, está trabalhando para desbloqueá-la e fazer aprovar um «mini-tratado».

    >>Nestes 50 anos de história de integração européia, quais seriam os grandes momentos que para recordar?

    Villagrasa: Talvez teríamos que recordar as pessoas que animaram os primeiros, decisivos, passos. Depois poderiam citar-se algumas figuras importantes nas progressivas ampliações e nos sucessivos tratados.

    >>Quais seriam estas personalidades das origens da integração européia?

    Villagrasa: Sem dúvida, Konrad Adenauer, Alcide De Gasperi e Robert Schuman, três católicos convencidos do valor da Doutrina Social da Igreja, líderes de partidos democrático-cristãos, provenientes de regiões de fronteira, portanto zonas discutidas entre nações européias. Também tinham uma inspiração filosófica bastante compartilhada que fazia referência ao humanismo de Jacques Maritain, ao personalismo de Emmanuel Mounier, ao popularismo de Dom Luigi Sturzo e ao valor da solidariedade. Depois desses três grandes personagens, há outros protagonistas de extração diversa, como Jean Monnet, Paul-Henri Spaak e Altiero Spinelli.

    >>Não é surpreendente que todos sejam católicos?

    Villagrasa: Essa é a questão. Penso que um católico está melhor disposto a promover formas de integração e cooperação internacional porque está menos exposto a nacionalismos estreitos. Outros, já na primeira fase de integração, viam outras motivações. Os partidos comunistas europeus, que faziam referência a Moscou, consideraram a Europa de Schuman, Adenauer e De Gasperi como uma «invenção democrático-cristã» ou uma «Europa vaticana», combatendo-a nos debates parlamentares.

    Quando em 1957 foram assinados os Tratados de Roma, a esquerda italiana e européia manifestou sua radical oposição aos mesmos. O Partido Comunista italiano, em concreto, definiu os Tratados como «um instrumento político antidemocrático, grave e perigoso», afirmando que a Europa dos Seis levaria a uma comunidade política dominada pela Alemanha, sob o patrocínio dos Estados Unidos. Contudo, dentro da esquerda, abriu caminho naqueles anos o europeísmo «federalista» de A. Spinelli, que previa a transferência da soberania política dos Estados nacionais a um verdadeiro Estado europeu, segundo o modelo americano ou suíço.

    >>Se tivesse que conferir o título de «Pai da Europa» a algum desses protagonistas, quem o mereceria?

    Villagrasa: À luz deste qüinquagésimo aniversário dos Tratados de Roma, creio que Robert Schuman é o primeiro candidato. Teve o grande mérito de propor um modelo de cooperação econômica, baseado na estratégia dos pequenos passos, que se traduzirá, em 18 de abril de 1951, na assinatura em Paris do Tratado para a criação da Comunidade européia do carvão e o aço (CECA) entre os seis membros fundadores: França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo.

    O êxito da CECA foi tal que aqueles seis países decidiram integrar outros setores, em concreto a agricultura e o transporte, com a assinatura dos Tratados de Roma (25 de março de 1957) que instituíram a Comunidade Econômica Européia (CEE) e a Comunidade Européia para a Energia Atômica (Euratom). Vamos celebrar o qüinquagésimo aniversário deste compromisso de remover as barreiras comerciais e aduaneiras existentes para constituir um «mercado comum» e consentir com a livre circulação de mercadorias, capitais e mão-de-obra. Certamente, a UE não foi feita por um homem e teria sido uma pobre realidade sem a ulterior abertura aos demais países da Europa.

    >>Depois vieram as ampliações da CEE e da UE...

    Villagrasa: Após os seis países fundadores, aderiram Dinamarca, Irlanda e Grã-Bretanha em 1973, Grécia em 1981, Espanha e Portugal em 1986. Integram-se já à UE Áustria e Finlândia em 1995, e outros dez países em 2004: República Tcheca, Estônia, Chipre, Letônia, Lituânia, Hungria, Malta, Polônia, Eslovênia e República Eslovaca. Em 2007, ingressam Bulgária e Romênia. Alguns dos tratados da UE nasceram por exigência de adaptação a estas ampliações.

    >>O que pode recordar destes tratados?

    Villagrasa: Após a eleição do primeiro Parlamento europeu por sufrágio universal em 1979, e com o fundo político marcado pela «Perestroika» de Gorbachov, assina-se a «Ata Única Européia» (1986) que reforça a coesão sócio-econômica e inicia a evolução da CEE para a União política. Após a queda do Muro de Berlim e a autodissolução da União Soviética, assina-se o Tratado de Maastricht (1992) que cria uma nova entidade supra nacional, a União Européia, institui a cidadania da UE, prepara a chegada da moeda única, estende e inicia a posta em marcha de uma política exterior de segurança comum e de uma cooperação em matéria de justiça e assuntos internos. A pedido dos «lander» alemães se inclui no Tratado o princípio de subsidiariedade.

    O Tratado de Amsterdã (1997) trata pela primeira vez o tema das Igrejas e das religiões, e não consegue introduzir a esperada reforma das quatro «instituições fundamentais»: Parlamento, Conselho de Ministros, Comissão Executiva e Tribunal de Justiça.

    O Conselho Europeu de Colônia, de junho de 1999, pede a redação de uma «Carta européia de direitos fundamentais» que será aprovada em Niza em dezembro de 2000. O tratado de Niza introduz em lugar do voto por unanimidade o voto por maioria qualificada. O Longo e complexo Tratado constitucional redigido a pedido do Conselho Europeu de Laeken (2001), após muitas negociações ligadas sobretudo ao sistema de voto estabelecido em Niza (que gostava a França e a Alemanha), foi assinado em Roma em 29 de novembro de 2004.

    Sancionava-se assim a unidade política e econômica dos 25 países membro da UE. Depois, os franceses e holandeses, chamados a referendum, não aprovaram a ratificação do Tratado, por motivos de descontento econômico e social.

    >>Como julgar esse «não»?

    Villagrasa: As motivações dos cidadãos não são muito altas ou altruístas. Mas são realistas. E esse realismo pode ajudar a uma classe política dominada, talvez, por ideologias e interesses nacionais. Esse «não» pode ser proveitoso para a UE. O processo de ratificações se havia empreendido, em muitos países, com grande superficialidade. Queria-se ganhar o primeiro lugar na corrida das ratificações! Os cidadãos não puderam refletir sobre o conteúdo do Tratado.

    >>Qual crê que é a posição da Igreja ao respeito?

    Villagrasa: A Igreja Católica, substancialmente favorável a um processo de integração que favorecia a paz e prosperidade na Europa, mostrou-se contrária à falta de menção das raízes cristãs no preâmbulo. O fato de que vários Papas se tenham mostrado a um certo modelo de unificação não significa que seu empenho seja de natureza política ou que queira devolver à Europa uma posição de superioridade, ou seja, a expressão de um sonho de restauração da «Respublica christiana» da Idade Média.

    Os pontífices não têm um projeto «político» para a Europa de amanhã, nem oferecem sugestões técnicas para superar as dificuldades da Europa. A Igreja se interessa pelos grandes processos que seus filhos vivem e dá orientações de natureza pastoral. Ela percebe que a UE, que se constrói e se dá uma Constituição, pode oferecer um paradigma do que pode chegar a ser a aldeia global: uma comunidade respeitosa das diferenças e ancorada em um genuíno humanismo. E se preocupa quando vê uma Europa que nega sua identidade e sua história.

    >>Entre tantos problemas técnicos que os políticos devem enfrentar, pensa que esta menção das raízes cristãs seja relevante?

    Villagrasa: Trata-se de uma questão de realismo político. Se não está claro o que a Europa é e o que a UE quer ser, se não se conhece sua identidade e não se determinam bem seus objetivos, a construção da UE ficaria sem fundamentos e, portanto, não teria futuro. João Paulo II disse que as raízes cristãs são para a Europa a principal garantia de seu futuro. Trata-se de voltar o olhar ao passado para empenhar-se hoje na construção do futuro. O reconhecimento da origem, das raízes históricas e culturais da Europa, de tudo o que faz da Europa uma realidade única e diferente das demais, teria podido ser, inclusive, em um texto ideal, como o Preâmbulo do Tratado, capaz de inspirar o sentimento de pertença dos europeus. Mas não foi assim porque não se quis fazer menção do cristianismo.





Para Refletir

"Com efeito, não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma força vinda de Deus para a salvação de todo o que crê, ao judeu em primeiro lugar e depois ao grego. Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz à fé, como está escrito: O justo viverá pela fé (Hab 2,4).
                                (Romanos 1,16-17)




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